A Origem e o Regresso da Experiência Compartilhada

Entenda:

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Postado em 12/05/2015
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O lançamento do gravador de vídeo digital pela TiVo em 1999 mudou para sempre a forma como as pessoas consomem e veem TV. Já não era mais necessário planejar a vida em volta dos programas favoritos. Podia se ver TV no horário em que se quisesse. A TiVo trouxe liberdade.

A liberdade introduzida pela TiVo tem aumentado com a possibilidade de ver programas à vontade, a qualquer hora no Netflix e outros serviços de streaming. Embora o conforto adicional do streaming tenha diversas vantagens, ainda falta uma coisa: uma experiência compartilhada.

Com esta liberdade máxima de poder ver qualquer programa a qualquer hora, tenho, recentemente, estado inclinado para exatamente o oposto. Num mundo de mídias sob demanda, os eventos ao vivo têm se tornado muito mais interessantes. Ao ver um show de qualificações ou debate político, a maior diversão não vem do evento em si, mas dos comentários sobre o evento em tempo real no Twitter. É a experiência compartilhada que importa.

As Pessoas são Sociais

Os Seres Humanos são seres sociais. Durante a maior parte da história humana, se um indivíduo ficasse isolado da tribo, a morte o alcançaria rapidamente. Indivíduos isolados lutavam para conseguir seu alimento sozinhos, enquanto eram, ao mesmo tempo, um alvo fácil para leões esfomeados.

Com os avanços na tecnologia ficou mais fácil que nunca, as pessoas se isolarem. Porém, os seres humanos ainda desejam o conforto de estarem rodeadas por outras pessoas. Quando em isolamento por largos períodos de tempo, o corpo humano produz cortisol, muitas vezes denominado por hormônio do stress. O Cortisol atua como um sistema de alarme integrado e avisa o indivíduo isolado para voltar para a tribo.

Este desejo de pertencer a uma tribo explica porquê é tão difícil para o corpo humano lidar com o isolamento. A Sara Shourd, que passou 14 meses em uma prisão no Irão, descreve sua fase de solidão no The New York Times:

Após dois meses sem contato humano nenhum, minha mente começou a descontrolar. Em alguns dias, eu ouvia passos fantasma de alguém descendo o corredor. Passei grande parte dos meus dias agachada, tentando ouvir através de uma frecha na porta. Na minha visão periférica, eu começava a ver luzes piscando, e, quando voltava minha cabeça, via que não tinha nada. Mais do que uma vez, bati nas paredes até minhas articulações sangrarem e chorava tanto até ao estado de exaustão. Cheguei num ponto em que ouvi alguém gritar e só quando senti a mão de um dos guardas mais simpáticos na minha face, tentando me reanimar, é que notei que os gritos eram meus.

Enquanto o cortisol desencadeia o instinto “lutar ou fugir”, a oxitocina é o químico da felicidade que promove a generosidade e confiança. Como Simon Sinek explica em Leaders Eat Last:

E o poder misterioso da oxitocina ajuda-nos a formar ligações de amor e confiança. Ajuda-nos a formar relações tão fortes, que podemos tomar decisões com completa confiança de que aqueles que se preocupam conosco estarão a nosso lado. Nós sabemos que, se precisarmos de ajuda ou suporte, as pessoas que se preocupam conosco estarão do nosso lado, não importa o que acontecer. A oxitocina mantém-nos saudáveis. Abre nossas mentes. Em termos biológicos, transforma-nos em melhores solucionadores de problemas. Sem oxitocina, nós só faríamos progresso a curto prazo. Saltos grandes requerem a capacidade conjunta de solucionar problemas de pessoas que confiam umas nas outras.

As nossas químicas da felicidade são muitas vezes desencadeados quando nos sentimos parte do grupo. Em um mundo que oferece flexibilidade, que frequentemente leva ao isolamento, isto é importante. Embora a tecnologia ofereça a liberdade de poder fazer as coisas na hora que se quiser, as pessoas ainda desejam experiências compartilhadas.

O Regresso da Experiência Compartilhada

A origem do tweeting ao vivo durante eventos grandes está relacionada ao aumento da demanda de mais experiências compartilhadas. Durante o despertar da internet, as pessoas se perguntavam se as conferências deixariam de existir, porque as pessoas podem se conectar de forma virtual. No entanto, em vez de diminuir, as conferências têm florescido. Com o aumento da liberdade que a tecnologia traz, vem um desejo aumentado de conectar aos outros seres humanos. As conferências ajudam a satisfazer essa necessidade.

Conectar em uma experiência compartilhada não está limitado ao Twitter e eventos ao vivo, os apps mobile de eventos e reuniões facilitam para as pessoas no mundo inteiro participarem em conversas e se sentirem conectadas umas às outras.

Embora seja difícil predizer o futuro, a previsão certa é que a tecnologia não vai substituir as necessidades das pessoas. Em vez disso, o maior benefício da tecnologia futura será sobre a forma como as pessoas se conectam.

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